terça-feira, 23 de agosto de 2011

700 mil fotografias do Portugal Colonial online




Mais de 700 mil fotografias do Portugal colonial vão estar disponíveis para consulta online. As imagens estão a ser digitalizadas dos acervos do Arquivo Histórico Ultramarino e do Instituto de Investigação Científica tropical.

Neste momento já é possível consultar perto de 20 mil destas fotografias no site do Arquivo Científico Tropial Digital (http://actd.iict.pt/), algumas da autoria de Elmano da Cunha e Costa (ver foto), advogado em Lisboa e fotógrafo na África nos anos 30 cuja obra pictória está neste momento a ser estudada por uma investigadora holandesa.

Segundo disse Catarina Marques, responsável pelo espólio do Instituto de investigação Científica Tropical e pela digitalização das imagens, as fotografias têm diversas proveniências e temáticas sendo a mais antiga de 1860 e as mais recentes de 1974.

As fotografias do espólio são valiosas também pelos vários tipos de processos fotográficos que ali existem, desde os métodos comuns de fotografia (com nitratos e acetatos de celulose) até métodos mais raros de papéis de ouro e platina.



Fonte: Boas Notícias

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Biblioteca virtual gratuita do MEC inclui turismo




 Ministério da Educação disponibiliza gratuitamente uma biblioteca digital de software livre com mais de 700 obras de variados assuntos. E um dos temas recentemente incluídos é justamente o turismo. São mais de 30 títulos, entre eles "Classes C e D, um novo mercado para o turismo", "Caminhos do futuro: ecoturismo", "Diretrizes para o desenvolvimento do turismo rural" etc.

Outra boa notícia é que o site disponibiliza várias preciosidades, como a obra completa de Machado de Assis, as poesias de Fernando Pessoa, A Divina Comédia, de Dante Alighieri, ou a reprodução das pinturas de Leonardo da Vinci, uma vez que as obras já são de domínio público. Há também vídeos, textos e músicas.

Para baixar as obras e demais conteúdos para seu computador, tudo de forma legal e gratuita, basta acessarwww.dominiopublico.gov.br , clicar nos temas ou obras escolhidas e fazer o download.

Fonte: Panrotas

BN Digital já disponibiliza 23 mil itens na internet e vai crescer



Nesta semana, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) liberou R$2,4 milhões para a ampliação da BN Digital. O projeto realizado pela Fundação Biblioteca Nacional já possui cerca de 23 mil itens digitalizados - livros, imagens, manuscritos e jornais - com acesso gratuito no site da instituição A iniciativa ainda conta com 13 projetos temáticos de conteúdos exclusivos produzidos por pesquisadores, que abordam curiosidades da história, da música, da geografia, da literatura, do jornalismo, e permite pesquisa de imagens. A Rede Memória Virtual Brasileira é um dos destaques do projeto: o internauta tem acesso ao conteúdo de diversas bibliotecas cadastradas, além de inúmeros artigos sobre a construção cultural do país que vão desde a imigração chinesa no Brasil até o Cinema Novo. O acervo digital pode ser acessado aqui.

Fonte: Boletim Biblioteca Nacional

Universitários reescrevem textos das bulas de remédios

Manual produzido por alunos da Universidade de Brasília pode ser acessado pela internet. Objetivo é ajudar na compreensão dos pacientes.

Guilherme Portanova / Jornal Hoje

Um grupo de alunos da Universidade de Brasília fez um manual sobre medicamentos que pode ser consultado pela internet. Mais de 160 bulas já foram traduzidas. A ideia é facilitar a vida dos pacientes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, anteriormente, que os laboratórios também deveriam fazer bulas mais simples. Quase 400 estão prontas e podem ser consultadas no site da Agência.

Alguns termos foram simplificados como, por exemplo, "posologia", que se transformou em "como devo usar este medicamento". “O objetivo é fazer com que o paciente, a partir do momento que entenda a bula, possa retratar para o seu médico os sintomas e os sinais e ajudar também no próprio tratamento dele, tomando os medicamentos de forma correta”, explica Patrícia Medeiros, professora de Farmacologia da Universidade de Brasília. Os pacientes de cardiologia do Hospital Universitário de Brasília já levam para casa as bulas traduzidas.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Especialista em cibercultura, o francês Pierre Lévy critica intenção inglesa de controlar redes sociais e fala sobre o futuro dos livros!

Há 20 anos, quando a maioria da população do mundo não tinha a menor ideia do que era a internet, o filósofo francês Pierre Lévy já estava de olho no futuro, com seus estudos sobre cibercultura e inteligência coletiva. Hoje, Lévy é uma referência, um estudioso cujas pesquisas ajudaram no desenvolvimento de ferramentas fundamentais para muitos de seus críticos do passado - entre eles, um bom número de jornalistas -, como a Wikipedia e as redes sociais.



Atualmente morando no Canadá, onde leciona na Universidade de Ottawa, esse profeta digital está a caminho do Brasil, para participar, no dia 25, às 19h30m, de um debate ao lado de Gilberto Gil, sobre o tema "o poder das palavras na cibercultura", no Oi Futuro Flamengo. A mesa faz parte da programação do projeto Oi Cabeça e tentará responder à difícil questão sobre o espaço que a escrita ocupa na esfera digital.

Em entrevista por telefone ao GLOBO, Lévy falou do uso das redes sociais, do futuro das mídias tradicionais, de como o preconceito contra a internet foi sendo modificado ao longo do tempo e do trabalho para desenvolver aInformation Economy Meta Language (IEML), uma nova linguagem para a web à qual ele vem se dedicando nos últimos anos.

Enquanto conversamos, o primeiro-ministro David Cameron sugere que a Inglaterra crie alguma forma de controle das redes sociais, a fim de evitar as manifestações vistas na semana passada. O que o senhor acha da ideia?
PIERRE LÉVY: É uma sugestão bastante absurda. É a grande maioria da população inglesa que usa as redes sociais, e não apenas uma pequena quantidade de criminosos. Além disso, os criminosos usam as estradas, os telefones, qualquer forma de se encontrar ou de se comunicar. Não há nada específico que justifique responsabilizar as redes sociais. Sou contra qualquer tipo de censura na internet, tanto política quanto de opinião. E vale lembrar que a polícia também pode se utilizar das redes sociais para encontrar os criminosos. A mídia social pode ser uma ferramenta de combate ao crime como qualquer outra.

A intenção de Cameron lembra críticas feitas contra a cultura digital há quase 20 anos. Naquela época, em suas palestras, o senhor dizia que o preconceito das pessoas contra a cibercultura se assemelhava ao preconceito contra o rock'n'roll nos anos 1950 e 1960. Alguma coisa mudou?
PIERRE LÉVY: Sim, houve mudanças. Naquele tempo, as pessoas diziam que a internet era uma mídia fria, sem emoções, sem comunicação real. Mas hoje, com a mídia social, as pessoas compartilham músicas, imagens e vídeos. Há muitas emoções circulando nesses espaços de comunicação. O que acontecia antes era que as pessoas não sabiam do que estavam falando. O preconceito, na maioria das vezes, é gerado pela ignorância. Até mesmo com vocês, jornalistas, isso mudou. Eu lembro bem que naquela época os jornalistas tinham todo o tipo de preconceito com a comunicação digital, e hoje todos estão usando essas ferramentas.

Mas alguns grupos de entretenimento e mídia ainda tentam controlar e restringir as possibilidades da internet, sob o temor de perder rentabilidade que tinham com a venda de CDs, DVDs ou publicações impressas. O que o senhor acha que vai resultar desse embate?
PIERRE LÉVY: O problema principal é que, antes da internet, todas essas empresas vendiam informação através de suportes materiais. Só que, já um pouco hoje e certamente no futuro, não haverá suportes físicos para levar a informação. É preciso se adaptar de uma situação em que se distribuíam e vendiam objetos físicos até outra, em que se distribui e se vende informação na rede. É uma transição enorme, e é provável que muitas dessas companhias não sobrevivam à necessidade de sair de uma era em direção à outra. Há milênios, muitos dinossauros morreram numa transição parecida.

O senhor está dizendo, então, que os grupos de mídia são dinossauros?
Os grupos de mídia que não se adaptarem ao novo momento, em que as comunicações são completamente descentralizadas e mais distribuídas, serão dinossauros e vão morrer.

Mas o que vai substituir a maneira como consumimos notícias hoje?
Eu acho que as notícias serão consumidas através das redes sociais, como Twitter, Facebook ou Google+. A mídia social permite que você escolha suas fontes e ordene suas prioridades entre as fontes. Você pode personalizar a forma como vai receber as notícias. Será assim no futuro: o usuário terá a habilidade de priorizar as fontes e os temas e escolher deliberadamente o que ele quer saber. Será uma atividade que a próxima geração já vai aprender a fazer nas escolas.

Alguns críticos, porém, costumam dizer que as ferramentas de internet que temos hoje não permitem um acesso democrático à informação. O Google, por exemplo, cria um ranking de resultados que de certa forma guia sua busca...
Espera um pouco. Você não pode acusar o Google de não ser democrático. O Google não é um governo, é uma empresa. Ele lhe oferece um serviço, e ele vende anúncios que serão vistos pelo usuário para se manter. Essa discussão não passa por democracia. O que eu posso dizer é que o ranking formado pelos algoritmos do Google é bastante primitivo. São mínimas as possibilidades de personalização de seu ranking. No futuro, especialmente graças a meu IEML (risos), todos poderão ser capazes de organizar sua própria ferramenta de busca de acordo com suas prioridades. Hoje, o Google praticamente oferece um mesmo serviço para qualquer tipo de pessoa.

Em que ponto estão as pesquisas do IEML?
Eu publiquei neste ano o primeiro volume, "La sphère sémantique", e agora estou trabalhando no segundo volume. O volume 1 é sobre a origem filosófica e semântica da linguagem. Já o volume 2 vai trazer um dicionário e explicar como utilizá-lo. Deve ser lançado no ano que vem. É um projeto longo, não dá para esperar ferramentas práticas nos próximos meses, mas espero que nos próximos cinco anos possamos ver algumas aplicações.

Que aplicações o senhor espera?
O argumento principal é o da interpretação coletiva da web. É difícil dizer exatamente que tipo de aplicação. A ideia é dar às comunidades uma representação científica de seu próprio processo de comunicação. Ele poderá se assemelhar a um grande circuito de conceitos, onde você observa a circulação de emoções e atenções. Isso poderá ser utilizado para marketing, educação, comunicação e pesquisa, por exemplo. Será uma nova forma de representar a relação entre conceito e ideias na internet. O sistema de escrita que usamos hoje na web é desenhado para mídia estática. Nós ainda temos que desenvolver sistemas simbólicos de escrita que sejam capazes de explorar todas as capacidades de um computador.

O senhor usa bastante as redes sociais?
Sim, estou no Twitter, no Facebook, no Google+ e em muitas outras. Mas não recomendo isso para ninguém, é preciso muito tempo para acompanhar tudo. Eu estou em tantas redes porque é meu trabalho, preciso saber do que estou tratando. Entre todas, o Twitter é a de que mais gosto, porque ele é prático e rápido para receber e procurar informações.

Quanto tempo por dia o senhor passa conectado?
Eu fico praticamente o tempo todo conectado. Consulto enciclopédias e dicionários na internet. Ouço rádios on-line. Acho que só não estou conectado quando estou dormindo. Mas, em relação a trocar e-mails e mensagens através de redes sociais, passo de uma a duas horas por dia nessas atividades. E não assisto a TVs nem leio jornais em papel. Só leio notícias na internet.

E livros em papel?
Eu tenho um tablet, mas estou velho e ainda prefiro ler livros no papel. Certamente, no futuro, a grande maioria dos livros será lida nos tablets ou em periféricos como o Kindle, muito pela possibilidade de interatividade. Os livros passarão a ser escritos dessa forma, com esse objetivo.

No Rio, o senhor vai participar de uma mesa de debate com Gilberto Gil. O senhor conhece a obra dele?
Eu já me encontrei com o Gil pessoalmente. Ele é um grande músico, um grande artista. Mas, além disso, também é uma pessoa que tem um pensamento bastante instigante sobre as consequências da revolução da mídia e da cultura. Será bom debater com ele.


Fonte: O Globo

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dia Nacional da BVS Psicologia Brasil terá debate online





Um debate transmitido via internet marcará o Dia Nacional da BVS Psicologia Brasil em 31 de agosto de 2011, às 10h00. A intenção é reunir estudantes, profissionais e pesquisadores, nas universidades, locais de trabalho e bibliotecas, para divulgar os diferentes usos que pode ter a Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia, BVS-Psi, instrumento de pesquisa importante para a atualização de estudantes e profissionais da área de Psicologia e ciências afins.
Estão confirmadas as presenças de Ana Mercês Bahia Bock, ex-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e atual secretária executiva da União Latino-Americana de Entidades de Psicologia (ULAPSI); Rodolfo Ambiel, doutorando e professor da Universidade São Francisco; Rodrigo da Silva Rodrigues Lermes, aluno de graduação do curso de Psicologia do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) e Sara Torres, bibliotecária da Estação BVS-Psi do CRP-03.
A mediação do debate será realizada por Maria Imaculada Cardoso Sampaio, coordenadora técnica da BVS-Psi.

No evento será apresentado o livro: 10 Anos da BVS-Psi, que conta brevemente a história de construção da fonte de informação e como o projeto avançou no país e se estendeu para outros países da América Latina. O livro tem depoimentos de várias pessoas que viram o projeto nascer e frutificar.


Acesse e divulgue a BVS Psicologia Brasil


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Slow Science



Movimento 'Slow Science' defende o direito de cientistas fugirem da corrida pelo grande número de publicações e priorizarem qualidade da pesquisa

Sabeine Righetti / Folha de S. Paulo

Um movimento que começou na Alemanha está ganhando, aos poucos, os corredores acadêmicos. A causa é nobre: mais tempo para os cientistas fazerem pesquisa.

Quem encabeça a ideia é a organização "Slow Science" ( http://slow-science.org ), criada por cientistas gabaritados da Alemanha.

Aderir ao movimento significa não se render à produção desenfreada de artigos em revistas especializadas, que conta muitos pontos nos sistemas de avaliação de produção científica.

Hoje, quem publica em revistas científicas muito lidas e mencionadas por outros cientistas consegue mais recursos para pesquisa.

Por isso, os cientistas acabam centrando seu trabalho nos resultados (publicações).

"Somos uma guerrilha de neurocientistas que luta para que o modelo midiático de produção científica seja revisto", disse à Folha o neurocientista Jonas Obleser, do Instituto Max Planck, um dos criadores do "Slow Science". O grupo chegou a criar um manifesto, no final do ano passado, em que proclama: "Somos cientistas, não blogamos, não tuitamos, temos nosso tempo".

"A ciência lenta sempre existiu ao longo de séculos. Agora, precisa de proteção."

O documento está na porta da geladeira do laboratório do médico brasileiro Rachid Karam, que faz pós-doutorado na Universidade da Califórnia em San Diego.

"O manifesto faz sentido. Temos de verificar os dados antes de tirarmos conclusões precipitadas", analisa.
"A 'Slow Science' nos daria tempo para analisar uma hipótese em profundidade e tirar conclusões acertadas."
De acordo com Obleser, o número de cientistas simpatizantes do movimento está crescendo, "especialmente na América Latina".

"Mas não é preciso se filiar formalmente. Basta imprimir o manifesto e montar guarda no seu departamento", diz.

O Slow Science é um braço do já conhecido "Slow Food", que defende uma alimentação mais lenta e saudável, tanto no preparo quanto no consumo dos alimentos.
Na ciência, a ideia é pregar a pesquisa que não se paute só pelo resultado rápido.

CETICISMO 
"É improvável que o ritmo de fazer pesquisa seja diminuído por meio de um acordo mundial em que cada cientista assume o compromisso de desacelerar seus trabalhos", diz o especialista em cientometria (medição da produtividade científica) Rogério Meneghini.

Ele é coordenador científico do Projeto SciELO, que reúne publicações da América Latina com acesso livre.
Para Meneghini, o "Slow Science" é um movimento "anêmico" num contexto em que a rapidez do fluxo de ideias e informações acelera as descobertas.

"Parece uma reivindicação de um velho movimento com uma roupagem nova. É certamente a sensação de quem está perdendo as pernas para correr", conclui.

"Lutamos para que o modelo midiático de produção científica seja revisto"
JONAS OBLESER
pesquisador do Instituto Max Planck (Alemanha)

Respeitável público!

Como o formato digital está ajudando a ampliar o acesso a produções que perderam os direitos autorais

Por Tatiana de Mello Dias / Link

2012 será um ano importante para os fãs do escritor irlandês James Joyce. É que, a partir de 1o de janeiro, sua obra inteira entra em domínio público – e o clássico Ulisses poderá então ser reproduzido, remixado, reeditado e revendido por qualquer um. E isso é especialmente importante porque o neto do escritor, Stephen Joyce, sempre fez questão de restringir ao máximo o uso dos textos do avô. A partir do ano que vem, Joyce estará livre.

“Como seres humanos, nós precisamos ter um grande espaço livre para nos comunicar uns com os outros, sem as limitações impostas pelo copyright”, disse ao Link o pesquisador holandês Joost Smiers, autor do livro Imaginem o Mundo Sem Direitos de Autor Nem Monopólios, de 2005 (leia a entrevista aqui).

O domínio público é o mecanismo legal que garante que obras sejam liberadas do copyright após um determinado prazo.

Por definição, domínio público é a extinção dos direitos autorais – principalmente os patrimoniais, que garantem a exclusividade para exploração econômica da obra.

E se grande parte das obras que já estão em domínio público está guardada em museus ou bibliotecas, a digitalização e a internet têm um papel importante para garantir a principal função do domínio público: possibilitar o acesso a esse material. “A internet veio redefinir tanto o papel do direito autoral quanto o do domínio público”, crava Sérgio Branco, professor da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro e autor do livro O Domínio Público no Direito Autoral Brasileiro, que será lançado em setembro. Só que essa relação não é tão simples – governos e instituições ainda não aprenderam a respeitar os princípios básicos do domínio público.

Desrespeito. O autor constatou uma série de problemas em relação à maneira como governos e instituições tratam o domínio público – no Brasil e no mundo. “Fiz uma pesquisa em quatro instituições de arquivos públicos e verifiquei um grande desrespeito às obras”, diz. A rigor, tudo o que está em domínio público deve ser acessível por qualquer um, para qualquer finalidade. Mas as instituições costumam exigir declarações sobre o uso que se dará à obra e vetam qualquer uso diferente.

A Lei de Direitos Autorais no Brasil não regula o tema. “A lei me parece pouco eficiente”, diz Branco. “Ela não prevê o domínio público voluntário. Não há razão para isso”, critica. A lei simplesmente determina o prazo de proteção no Brasil: 70 anos após a morte do autor, prazo considerado longo por instituições como a ONG Consumers International, que colocou o Brasil como o país com a quarta pior lei de copyright do mundo em relação ao acesso à cultura e uso educacional. “A rigor, podemos dizer que o prazo hoje vigente no Brasil já é suficientemente longo para representar um desequilíbrio nas relações entre autor e sociedade”, diz Branco em sua tese. “Parece claro que os frutos econômicos decorrentes da exploração da obra se esgotam, em regra, muito antes de expirado o prazo de proteção.”

No ano passado, a Argentina aprovou uma lei para estender de 50 para 70 anos o prazo de proteção de obras fonográficas. Um dos motivos era o de que um disco da cantora Mercedes Sosa entraria em domínio público em 2012. Detalhe: o LP estava fora de catálogo há 48 anos, portanto sem gerar renda para a família da cantora. “São histórias absurdas porque você está protegendo algo que não está sendo explorado e impedindo o acesso àquela obra”, diz Branco.

Nos anos 60, o compositor Carlos Imperial virou dono da canção “Meu Limão, Meu Limoeiro”. Registrou a cantiga popular como sua composição. Sua mãe ficou indignada: “Mas, Carlos, como você teve coragem? Eu cansei de embalar você à noite cantando essa música”. Ele respondeu: “Música e mulher para mim não têm dono, vou lá e pego”. Até hoje, toda vez que alguém tocar publicamente a cantiga popular, terá de pagar direitos autorais à família Imperial.

Faz sentido? O que Imperial fez é um exemplo extremo de uma prática comum da indústria cultural: pegar uma obra em domínio público torná-la uma obra protegida por direitos autorais. É só lembrar dos clássicos da Disney (adaptações de contos de fadas já em domínio público).

Nos EUA, a pressão da indústria fará que nenhuma obra entre em domínio público no período que vai de 1998 até 2018. A lei, conhecida como Mickey Mouse Act, foi aprovada após uma pressão no Congresso porque os primeiros filmes da Disney entrariam em domínio público. “O maior problema é que, quando você prolonga o prazo, carrega consigo não só os filmes da Disney, mas toda a cultura norte-americana. Com isso você tem não só a perda da reciclagem das obras, porque a película se deteriora e o livro sai de catálogo, mas também uma perda econômica”, diz Branco. “Se uma obra intelectual não foi remunerada nos primeiros anos, dificilmente será 70 anos depois, ou 90. Não faz sentido manter essa proteção tão longa”.

No ano passado, toda a obra do psicanalista Sigmund Freud entrou para domínio público. Ninguém perdeu dinheiro com isso – pelo contrário. “Apareceram novas e melhores edições das obras. Há competição: se não tem mais monopólio, várias editoras podem publicar a obra”, diz Branco.

O BÁSICO
• Domínio público é a extinção do direito patrimonial do autor sobre a obra (ou seja, do monopólio de exploração comercial).
• Não é possível licenciar uma obra em domínio público. Mas há alternativas, como a licença CC0, da organização Creative Commons, que sinaliza que o autor abriu mão de todos os direitos.
• Uma vez em domínio público, não é possível aos detentores recuperarem os direitos sobre a obra.

ONDE ENCONTRAR
• Internetarchive.org: Tem de tudo. Vídeos, livros, fotos, softwares e sites.
• The Public-Domain Movie Database: O visual é terrível, mas há um bom acervo de filmes, séries e documentários.
• Project Gutenberg: Reúne mais de 36 mil livros para Kindle, Android, iPad e iPhone.
• Domíniopúblico.gov.br: Imagens, sons e livros, como a obra completa de Machado de Assis.
• Publicdomainworks.net: Todo o tipo de conteúdo, como artigos acadêmicos.


O QUE ESTÁ E O QUE NÃO ESTÁ EM DOMÍNIO PÚBLICO

Jingle Bell Rock. Não. Esta e muitas outras canções de Natal, como ‘Santa Claus is Coming to Town’, pertencem a gravadoras.

Alice no País das Maravilhas. A obra de Lewis Carrol é pública. Mas as adaptações, como a recente versão de Tim Burton no cinema, são protegidas.



Monalisa. Sim. A reprodução está em domínio público. Nos EUA, se alguém fotografar o quadro, a foto também é pública.
Sigmund Freud. Sim. Todos os livros do psicanalista entraram em domínio público na virada de 2010. Isso fez que surgissem novas e melhores edições de suas obras.


Meu limão, meu limoeiro. Não. A cantiga popular foi registrada por Carlos Imperial e não pode ser usada livremente até 2063.
Guimarães Rosa. Não. Os livros do escritor só entram em domínio público em 2037. Até lá, a família tem total controle sobre a forma como as obras serão publicadas.


Walter Benjamin. Sim. As obras do escritor alemão da Escola de Frankfurt entraram em domínio público no começo de 2011.
Parabéns a você. Não. A música só entra em domínio público nos EUA em 2030 (é da Warner). Na Europa o copyright expira em 2016.


Leon Trotsky. Sim. Tudo o que ele fez se tornou domínio público desde o primeiro dia do ano passado.
Noel Rosa. Sim. As músicas do compositor morto precocemente estão livres desde 2008, quando sua morte completou 70 anos.




‘É bizarro pensar em proteção por 70 anos’

Por Tatiana de Mello Dias

Para pesquisador, o copyright é injusto e perigoso



Você escreveu o livro em 2005. Mudou muita coisa?Muito e nada. A começar pelo nada: o sistema de copyright ainda vigora. Isso faz que poucas estrelas fiquem ricas e a real diversidade de expressões culturais fique à margem da atenção pública. Há poucas companhias que têm uma influência enorme no que vamos ver, ouvir e ler. Ao mesmo tempo, muito mudou. Mais e mais pessoas começaram a perceber que o sistema de copyright não é justificável. O futuro é a digitalização. Foi o que mais mudou desde 2005. Podemos imaginar que na era digital a troca de música, imagens e textos poderá ser controlada? Seria muito ingênuo pensar que nós podemos ter tanta força policial disponível para controlar a comunicação de todo mundo.
Mecanismos de licenciamento mais flexíveis são a solução?O Creative Commons é um passo adiante. No entanto, ele não ataca os conglomerados da informação. O CC cria um nicho para os artistas que querem compartilhar seu trabalho com os outros, mas não muda as estruturas do mercado e as relações de poder. E, assim, não remunera os artistas que compartilham. Isso não é justo.
O prazo de 70 anos após a morte do autor é longo demais?Se o copyright serve para remunerar os artistas – e ele não faz isso para a maioria deles – então é bizarro pensar em proteção por 70 anos após a morte deles. Isso deixa claro que o sistema de copyright não funciona para a maioria. É uma proteção ao investimento para as empresas que querem extrair o máximo de dinheiro possível dos produtos – que é como eles se referem às expressões culturais. Isso nos dá o conceito de propriedade. Até o presente, tudo que pode ser comercializado pode se tornar propriedade privada. A consequência é que nós não temos mais um espaço livre onde, como seres humanos, podemos nos comunicar uns com os outros sem restrições. Se nós tivéssemos um mercado cultural que funcionasse com igualdade de condições onde não houvesse empresas dominantes – a maioria dos artistas poderia ter um lucro razoável sem ter a propriedade de seus trabalhos.
A indústria está se apropriando das expressões culturais?Se alguém privatiza as expressões culturais – que é o que o copyright faz –, então nós não podemos mais usá-las. Adicione a isso o fato das empresas que fazem essa privatização controlarem também as condições de produção, distribuição, promoção e recepção, então nos encontraremos, de uma perspectiva democrática, em uma situação perigosa.
O copyright limita os artistas?Claro. Em todas as culturas, em todos os lugares, os artistas usam fragmentos de outros para criar e realizar de novo. É uma aberração do Ocidente, datada de dois séculos, que isso seja proibido. Claro, eu posso admirar muito o trabalho de artistas específicos, mas é um exagero argumentar que um artista é um gênio que criou seu trabalho só com sua própria inspiração, e que por isso deveria ter o direito exclusivo de uso da obra. Eu fico surpreso que algumas pessoas no século 21 ainda tenham essa ideia romântica sobre um artista!
Por que a eliminação do copyright poderia levar a mais competição e diversidade?Teríamos igualdade de condições. Em um mercado assim, não haveria forças dominantes, somente muitas pequenas e médias empresas. Não seria um incentivo para uma delas “roubar” o trabalho de outro artista. As empresas teriam mais ou menos a mesma posição em mercados culturais, o que faria que elas pudessem competir livremente. Além disso, elas teriam preferências artísticas diferentes, e ofereceriam criações e performances relacionadas ao seu público. E o público seria mais livre para fazer escolhas. Não seria mais tão influenciados pelos esforços de marketing dos grandes conglomerados culturais.
Os artistas estão aptos a trabalhar sem copyright?Muitos artistas, e seus empreendedores, na verdade já trabalham sem fazer dinheiro com o copyright. Mas eles sentem a necessidade de criar e produzir. O problema é que eles fazem isso em um contexto econômico que não é justo e é muito direcionado ao terrível princípio de ‘o vencedor leva tudo’. Para esses artistas é uma luta desigual, e para a democracia é extremamente perigoso.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

MIT Open Course Ware



O MIT OpenCourseWare é uma iniciativa da universidade norte-americana de compartilhar com o mundo parte de seu conteúdo acadêmico. O material inclui listas de leitura e vídeos de palestras de mais de 2 mil cursos ministrados na instituição.


MIT Open Course Ware

Fonte: Pesquisa Mundi

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Como conservar os livros



Grandes quantidades de livros são pesadas. Dê atenção à espessura das prateleiras.
O livro deve ser constantemente manuseado. O virar das páginas oxigena o material, impede a acumulação de microrganismos que atacam o papel e impede que as folhas não fiquem ressequidas e quebradiças.
Folheie rapidamente, mas cuidadosamente, o livro sempre que for colocá-lo de volta na prateleira. Isso vai arejá-lo.
Não guarde os livros em sacos de plástico, pois isso impede a respiração adequada do papel.
Evite encapar os livros com papel pardo ou similar. Essa aparente protecção contra a poeira causa mais dano do que benefício ao livro no médio e curto prazo. O papel tipo pardo, de natureza ácida, transmite o seu teor ácido aos materiais que estiver a envolver.
Faça uma vistoria anual. Retire todos os livros, limpe-os com um pano seco. Limpe a estante com um pano húmido.
Deixe sempre um espaço entre as estantes e a parede. A parede pode transmitir humidade aos livros. E com a humidade surgem os fungos.
Armários e estantes devem ser arejados. Estantes fechadas devem ser periodicamente abertas.
Estantes de metal são preferíveis do ponto de vista da conservação dos livros.
Não use clipes como marcadores de páginas. O processo de oxidação do metal mancha e estraga o papel.
Em estantes de madeira, revista as prateleiras com vidro. Não use tintas à base de óleo.
As bibliotecas devem ser frequentadas. Baixa frequência de pessoas aumenta os insetos.
Faça um tratamento anual contra as traças.
Não guarde livros inclinados. Aparadores podem mantê-los retos.
Encadernações de papel e tecido não devem ser guardadas em contato direto com as de couro.
Na prateleira, os livros devem ficar folgados. Sendo fáceis de ser retirados, duram mais.
Comprimidos nas prateleiras, induzem a sua retirada incorreta, o que danifica as lombadas e fatalmente leva ao dano da encadernação. Livros apertados também favorecem o aparecimento de insetos.
Quando tirar um livro da prateleira, não o puxe pela parte superior da lombada, pois isso danifica a encadernação.
Publicado originalmente no Jornal de Angola

Coleção Oscar Wilde




Grande parte da obra do escritor irlandês Oscar Wilde está disponível nesse site, em inglês. Nele, é possível
encontrar poemas, peças teatrais, contos e livros do autor, um dos propagandistas da revelação da verdadeira vida pela arte.

oscarwildecollection.com


Fonte: Revista Planeta